Ainda sobre o diploma

Fim da exigência? Como assim? Será que algum dia já foi exigido neste País que o jornalista fosse diplomado, exceto em concursos? Lembro que quando entrei na universidade este assunto estava em voga, porque na época uma juíza de São Paulo tinha revogado a obrigatoriedade. Ou era o contrário, sei lá. O que me lembro mesmo é que nunca sabia se era obrigatório ou não, pois naqueles tempos, sempre tinha uma instância jurídica sobrepondo a outra, alternando períodos de obrigatoriedade com períodos de não-obrigatoriedade. Algo assim.
A questão do diploma, na verdade, já vem sendo discutida há muito mais tempo e a decisão do Supremo Tribunal Federal favorável à não-obrigatoriedade, em junho, não será o ponto final dessa história, com certeza.
O primeiro curso de jornalismo no Brasil teve início em 1947, na Fundação Cásper Líbero. Mas a imprensa nacional é bem mais antiga que isso e temos casos de bons jornalistas autodidatas, ou vindos de outras áreas, anteriores a essa época. E pós também. Ponto a favor da não-obrigatoriedade do diploma.
Mas, cerca de meio século depois desse primeiro curso, o panorama é bem diferente. Graduações em comunicação social, especialmente em jornalismo, proliferam mais que a gripe suína e não há um método eficaz de medir a qualidade destes. Por isso, o mercado vive um momento de saturação de jornalistas, que, mesmo em um momento de abertura de campo (jornalismo on-line), passam a trilhar outros caminhos. A maioria dos jornalistas trabalha com assessoria e outros acabam virando publicitários, marketeiros, designers, webdesigners, cambistas, etc. Ponto a favor da obrigatoriedade do diploma.
O que me incomoda nessa história toda é que qualquer tentativa de regulamentação profissional é taxada de censura, como foram os conselhos regionais e o Conselho Nacional de Jornalismo. A Lei de Imprensa acaba de ser revogada; era antiquada, mas não houve qualquer manifestação para que ela fosse ATUALIZADA ao invés de EXCLUÍDA.
Não sei se sou favorável ao diploma ou não. Existem bons argumentos pró e contra isso, e não vou discuti-los aqui. Mas acho que a profissão deveria ser mais bem regulamentada: cada veículo deveria ser obrigado a ter uma porcentagem de jornalistas diplomados na redação, com ênfase em cargos de edição. Aliás, seria muito bom para a comunicação de uma maneira geral se os cargos de editores fossem ocupados apenas pelos diplomados. Além disso, a criação de um órgão para coibir abusos e de uma espécie de prova para o exercício do jornalismo cairiam muito bem.
Mas nada disso existe e o momento é difícil para os jornalistas. A tendência é que o piso salarial continue baixíssimo e a rotina de trabalho, estressante. Ponto a favor de quem fez qualquer outro curso.



