Wednesday, August 12, 2009

Briguinha no Twitter é o que há


Conferir e mandar links é legal. Conversar com amigos, vários ao mesmo tempo, é bacana. Ficar sabendo que quem você segue acabou de comprar um Macbook ou que está tomando a 27ª xícara do café não tem graça nenhuma nem muda minha vida pra melhor. O Twitter, febre da internet pós-orkut, permite saber dessas coisas todas e outras mais. Tornou-se popular e por isso mesmo tem um monte de famoso por lá, aproveitando mais essa ferramenta do cyberepaço pra aparecer. E, claro, aí estão a utilidade e recreação maiores do microblog: briguinhas decorrentes dele têm feito meus dias mais felizes.

Uma delas aconteceu quando o Luciano Huck começou a promover o Twitter dele. Tinha promoção pra quem seguisse o apresentador e tudo ia bem até que o Marcelo Tas passou a desdenhar o cara, dizendo que achava uma palhaçada distribuir prêmios pra alavancar o número de seguidores. Deve ter ficado puto, porque perdeu o primeiro lugar de seguidores no Brasil pro Huck, e deve ter ficado com medo de perder o patrocínio da Telefônica que possui. E que não divide com ninguém.

Também foi bem divertido quando o Nelsinho Piquet desmentiu o Galvão Bueno pelo serviço de microblog, afirmando não ter sido demitido. Mais pessoas deviam fazer isso contra o Galvão, seja no Twitter, na tevê ou nos estádios. Desfecho desse episódio, também foi divertido quando o Nelsinho foi de fato demitido tempos depois.

Por falar em Fórmula 1, rolou um bafafá entre o Repórter Vesgo e o Rubinho Barrichelo. O primeiro fez uma piada, perguntando “Se vocês digitarem ”twitter” no Google, imaginem quem chega em segundo?”. O Rubinho não deixou barato e alfinetou, afirmando que o Vesgo deveria preferir ser um “humorista meia boca” a vice-campeão da F-1. O automobilismo deve pagar bem, mas, sinceramente, eu prefiro fazer piada a ser piada.

Outro cara do CQC metido em confusão foi o Danilo Gentili. No Twitter, fez uma piada envolvendo o King Kong e loiras, foi acusado de racismo e saiu atirando contra o “politicamente correto” e até contra o Hélio de La Peña, que tinha tentado amenizar a situação. Mas piada, piada mesmo foram as explicações dele, que só conseguiram piorar a coisa: “Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?” Ora, poder chamar, pode. Mas se um “veado”, uma “baleia” ou uma “lagartixa” quiserem te processar, também podem.

E tem gente que diz que não dá pra dizer nada em 140 caracteres...

Thursday, July 30, 2009

Um desenho

Saturday, July 04, 2009

Ainda sobre o diploma


Fim da exigência? Como assim? Será que algum dia já foi exigido neste País que o jornalista fosse diplomado, exceto em concursos? Lembro que quando entrei na universidade este assunto estava em voga, porque na época uma juíza de São Paulo tinha revogado a obrigatoriedade. Ou era o contrário, sei lá. O que me lembro mesmo é que nunca sabia se era obrigatório ou não, pois naqueles tempos, sempre tinha uma instância jurídica sobrepondo a outra, alternando períodos de obrigatoriedade com períodos de não-obrigatoriedade. Algo assim.

A questão do diploma, na verdade, já vem sendo discutida há muito mais tempo e a decisão do Supremo Tribunal Federal favorável à não-obrigatoriedade, em junho, não será o ponto final dessa história, com certeza.

O primeiro curso de jornalismo no Brasil teve início em 1947, na Fundação Cásper Líbero. Mas a imprensa nacional é bem mais antiga que isso e temos casos de bons jornalistas autodidatas, ou vindos de outras áreas, anteriores a essa época. E pós também. Ponto a favor da não-obrigatoriedade do diploma.

Mas, cerca de meio século depois desse primeiro curso, o panorama é bem diferente. Graduações em comunicação social, especialmente em jornalismo, proliferam mais que a gripe suína e não há um método eficaz de medir a qualidade destes. Por isso, o mercado vive um momento de saturação de jornalistas, que, mesmo em um momento de abertura de campo (jornalismo on-line), passam a trilhar outros caminhos. A maioria dos jornalistas trabalha com assessoria e outros acabam virando publicitários, marketeiros, designers, webdesigners, cambistas, etc. Ponto a favor da obrigatoriedade do diploma.

O que me incomoda nessa história toda é que qualquer tentativa de regulamentação profissional é taxada de censura, como foram os conselhos regionais e o Conselho Nacional de Jornalismo. A Lei de Imprensa acaba de ser revogada; era antiquada, mas não houve qualquer manifestação para que ela fosse ATUALIZADA ao invés de EXCLUÍDA.

Não sei se sou favorável ao diploma ou não. Existem bons argumentos pró e contra isso, e não vou discuti-los aqui. Mas acho que a profissão deveria ser mais bem regulamentada: cada veículo deveria ser obrigado a ter uma porcentagem de jornalistas diplomados na redação, com ênfase em cargos de edição. Aliás, seria muito bom para a comunicação de uma maneira geral se os cargos de editores fossem ocupados apenas pelos diplomados. Além disso, a criação de um órgão para coibir abusos e de uma espécie de prova para o exercício do jornalismo cairiam muito bem.

Mas nada disso existe e o momento é difícil para os jornalistas. A tendência é que o piso salarial continue baixíssimo e a rotina de trabalho, estressante. Ponto a favor de quem fez qualquer outro curso.

Monday, June 22, 2009

"Mais rápido! Mais rápido!"

Tuesday, May 19, 2009

Um Dramin por 10 reais

Na última quinta-feira, 14 de maio, precisei viajar pra BH. Passagem comprada com antecedência, redação do jornal fechando mais cedo (ia direto de lá pra rodoviária), pensei, “tenho tempo até o ônibus sair”. E tinha: saí do jornal às 17:40 e o ônibus partiria às 18:30.

Passei num caixa eletrônico pra fazer um depósito. Coisa rápida. Mas nessas coincidências da vida, encontrei o noivo de uma prima minha e ficamos conversando. Por pouco tempo, afinal, este eu tinha de sobra. E cheguei à rodoviária às 18:10, tempo suficiente pra fazer um lanche. E lá, encontro inusitado, vejo agora, encontrei meu irmão mais velho. “Estou indo pra BH, vou fazer um lanche”. “Eu te acompanho”. Coxinha vai, coca-cola vem, muita conversa jogada fora e eu olho o relógio, 18:27. “Tenho que ir, ainda vou comprar um Dramin”. O tom da voz muda quando a gente tem só 3 minutos, ainda que isso seja tempo suficiente.

Perguntei na lanchonete se lá vendiam Dramin, vendia, mas achei o preço absurdo. Passei por outro boteco bem esquisito, resolvi passar direto, fui a um terceiro onde também não vendiam. Voltei pro boteco estranho, onde havia um atendente muito estranho e dois consumidores igualmente estranhos. “Tem Dramin?” “O quê?” (o atendente não entendeu). “Dramin, aquele comprimido”. “Quê???” “Dramin, porra”. “Ahhhhh! Isso aqui, hehehe?” (não acreditei quando o comerciante pegou um pacote de camisinha, que, aliás, ficava exposto perto de pacotes de bolacha).

“Ele é surdo”, explicou um dos consumidores estranhos, e só na quarta tentativa o atendente entendeu o que eu falava. “Ahh! Dramin! Qual que você quer, o branquinho ou o mais escuro?”, voltou-se pra mim, com duas cartelas de comprimidos diferentes. “Deixa eu ver isso”, eu disse, não sabia que produziam Dramin em duas cores. Mas ele nem ouviu, cortou um da cartela dos branquinhos e me deu. Paguei, olhei o relógio, 18:31. Desci a escada pensando “Estamos no Brasil, não é possível que um ônibus obedeça ao horário... opa... é possível sim”. O ônibus tinha ido embora e a merda do Dramin me fez perdê-lo.

Corri no guichê da empresa e o funcionário falou que quem perde o ônibus costuma pegar táxi pra alcançar. Nem agradeci, corri no ponto e conseguimos encontrar o ônibus perto da Univiçosa. Alcançaríamos antes, mas um Honda insistiu em fechar a nossa frente durante toda a avenida Castelo Branco. Após um buzinaço pro ônibus parar, desci do táxi e deixei com ele uma nota de 10 reais, o troco ia ser pouco mesmo. Entrei no ônibus e todo mundo me olhando, metade fazendo cara feia e outra metade rindo.

Sentei, ofegante e trêmulo por causa do estresse da situação. Veio o trocador: “Água, senhor?” “Sim, obrigado”. Veio a água e eu, mais calmo, tirei o Dramin do bolso. Ia abrir, quando e ele escapuliu da minha mão e foi cair exatamente num vão entre o banco da janela e a parede do ônibus, um vão estreito, inatingível à mão humana. Nunca me senti tão Ross.

Monday, May 18, 2009

Passeata dos solteiros


Esta foto explica, em parte, pq essas mulheres estão solteiras e ao mesmo tempo, revela que elas nem são tão exigentes assim...

Wednesday, May 13, 2009

A pirataria e o “jeitinho”


A França acaba de aprovar uma lei para punir com suspensão os usuários da internet que realizarem downloads ilegais. Se a atitude foi inédita na Europa, no Brasil já tem quem pense da mesma maneira: um projeto de lei do senador Eduardo Azeredo prevê sanções aos usuários da rede. Segundo o texto, os provedores deverão armazenar por até 3 anos todos os dados dos internautas – e, em caso de detecção de download ou troca de arquivos, o usuário será identificado à produtora. Outro ponto do projeto é que não se poderia fazer qualquer cópia, de qualquer sistema de redes, sem autorização prévia.

O absurdo dessa premissa vem do fato de que, enquanto você acessa um site, seu computador armazena o conteúdo automaticamente. Já imaginou a paranoia que se transformaria o uso da internet tendo que comprovar se copiou por querer ou sem querer?

A pirataria vem justamente da tentativa de "dar um jeitinho", de "diminuir os custos" (Sejamos mais claros, quem vai querer pagar 30 reais num CD que tem uma ou duas músicas boazinhas?). Quando a filmadora foi inventada, começaram a exigir royalties dos produtores de cinema pelo uso das câmeras. Para não pagar, estes produtores migraram para a Califórnia, dando origem à poderosa indústria de cinema de Hollywood. William Fox, fundador do que veio a se transformar no conglomerado de comunicação Fox, estava entre estes produtores. Não soa irônico que quem combata as cópias hoje tenha feito uso de uma forma de pirataria no passado?

Tentar coibir a pirataria pode até ser válido sob alguns aspectos autorais, mas é ridículo o discurso que certas autoridades fazem usando o termo “acabar com a pirataria”. Porque ela não nasceu hoje: se o CD está perdendo a batalha para o MP3 ou se filmes e séries podem ser baixados facilmente pela internet, devemos lembrar que o velho vinil teve que combater a fita cassete. E que aprendemos a piratear quando a indústria nos deu ferramentas como o vídeo cassete e o computador.

Mesmo que os políticos façam restrições, vão surgir novas alternativas de aquisição de arquivos, sobretudo agora que os bens culturais não são materiais. Se tiver necessidade, inventam sempre um jeito de piratear, sem burlar as leis ou passando sobre uma legislação inespecífica, enquanto a indústria não encontrar formas inteligentes de combater as cópias.